O IMPERATOR, NO MÉIER, FOI O MAIOR CINEMA DA AMÉRICA LATINA, quando inaugurado em 1958: com 2.500 lugares. 8 mil metros de área construída.
TRANSFORMADO EM CASA DE ESPETÁCULOS, foi nos anos 90 a maior casa de shows do Rio de Janeiro, recebendo de Bob Dylan a Beastie Boys. (Isso quando concorria com o Canecão, antes da inauguração do Metropolitan, em 1994.)
O IMÓVEL ACABOU PASSANDO PARA O GOVERNO DO ESTADO E FICOU ABANDONADO. ATÉ A SECRETÁRIA DE CULTURA DO MUNICÍPIO, JANDIRA FEGHALI ADOTAR O ESPAÇO, após consultas públicas junto aos moradores do Grande Méier. A primeira gestão do Eduardo Paes fez em 2010 um contrato com o Estado do RJ com duração de 10 anos, renovável.
A LICITAÇÃO FOI VENCIDA PELA PRODUZIR, e após 2 anos de mirabolantes obras: o Imperator ressurgiu em 12 de junho de 2012, com show do Diogo Nogueira cantando João Nogueira – e o espaço agora rebatizado em homenagem o grande sambista. Com 3 salas de cinema, 3 salões para exposições, 25 cursos gratuitos (atendendo uma média de 600 alunos), intensa programação de shows (com ingressos nunca acima de 40 reais) e um terraço com variada programação, de aulas de tai-chi a contação de histórias, passando por palestras e trocas de livros. Além das cafeterias e espaços de convivência e leitura. A década em que Paulo Lopez dirigiu o espaço foi gloriosa. O Imperator fechava apenas 5 dias por ano: 3 dias no Carnaval, mais Natal e Reveillon.
QUANDO SE ENCERRAVA O CONTRATO COM A PRODUZIR: MARCELO CRIVELLA ERA O PREFEITO. Um prefeito que odiava a cultura – que não fosse controlada por pastores. Aproveitou a Pandemia e devolveu o espaço pro Estado, à época governado por Wilson Witzel. Depois de um medonho jogo de empurra-empurra, o Imperator caiu no colo da FUNARJ em agosto de 2024.
O RESULTADO DESSA DEVOLUÇÃO ESTÁ AÍ: O COLAPSO DO IMPERATOR. O jornal local “Sou Méier” publicou artigo a respeito no dia 9 de fevereiro:
“Em
pleno período de férias, o Imperator, no Méier, caminha na contramão das
grandes casas de eventos e se mantém sem novidades na programação, em 2025.
O Centro Cultural que sempre foi efervescente e acostumado a receber milhares
de pessoas para shows, peças, exposições e eventos, vive um silêncio
inexplicável diante da demanda do gigante público que frequenta o espaço.
Em 2024, uma das reclamações do público foi relacionadas ao formato das vendas
dos ingressos.
A maioria dos eventos do Imperator se limitou aos projetos da FUNARJ. Apesar
dos projetos garantirem acesso aos eventos a preços populares, os ingressos
eram disponibilizados primeiro na bilheteria física, em horário comercial, e
após algumas horas poderiam ser comprados online.
Em shows de artistas famosos, os ingressos esgotavam rapidamente na bilheteria
física, impedindo o público que trabalha ou não tem a disponibilidade de estar
no centro cultural, em horário comercial, de participar das atrações.
Além das vendas dos ingressos serem anunciadas com pouquíssima antecedência,
muitas vezes apenas 24 horas antes do início das vendas.
Outra reclamação é o fechamento do terraço. O espaço, no terceiro andar,
funcionava como uma área de convivência para a população e mantinha diversas
atrações gratuitas.
Entre as atrações que deixaram de existir no Imperator estão:
Forró Lánalaje (show de forró gratuitos)
Jazz Pras Sete (atrações de Jazz gratuitas)
Jogos de Tabuleiros
Feiras variadas
Contação de histórias
Trocas de Livros
Entre eventos pontuais diversificados
O site do Imperator costumava ser uma referência para divulgação da programação.
O público sabia com antecedência os shows e peças que estariam em cartaz no
Centro Cultural.
Em 2024, o site oficial, após meses desatualizado, deixou de existir.
As redes sociais do Imperator também foram alvo de reclamações, como no show de
Sandra Sá (03/12), que foi divulgado após os ingressos já estarem esgotados.
Ao longo de 2024, o público também se manifestou em relação à variedade da
programação.
O Imperator que sempre foi palco de grandes artistas nacionais e
internacionais, peças aclamadas e um refúgio cultural na Zona Norte do Rio,
segundo frequentadores passou a ter uma programação com menos atrações
renomadas e estilos repetitivos.
Na história, o Imperator sempre foi uma referência de entretenimento e um dos
Centros Culturais mais importantes do país, capaz de trazer para a Zona Norte
do Rio uma programação rica, variada e de extrema qualidade.”
PAULO LOPEZ VOLTOU PARA PETRÓPOLIS E LÁ INAUGUROU O TEATRO IMPERIAL, em novembro de 2023 - na Rua Mal. Deodoro 192, no Centro. No Rio de Janeiro: o Grupo Aventura, de Aniela Jordan (dona da Produzir), criou e gere o Teatro Riachuelo, o Teatro Adolpho Bloch e o Teatro EcoVilla Ri Happy, dentro do Jardim Botânico.
Existem mil maneiras de gerir espaços públicos. Há experiências bem sucedidas de gestão totalmente pública, há o admirável case de sucesso do SESC paulista e há a excepcional & linda história do Imperator gerido pela Produzir.
Debates
são sempre bem vindos. E é preciso debater com dados, pragmatismo e realismo. Porque
inegável: é o retumbante fracasso do Estado do Rio de Janeiro em gerir esse
monumento chamado Imperator.










