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Guia do Rock Underground Brasileiro, Parte 9: 120 pérolas perdidas do rock brazuca (mais ou menos underground)

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Essa é pra você aplicar naquele teu amigo rabugento, que insiste em dizer que "não se faz mais bom rock como antigamente", ou que "não há mais boas bandas de rock no Brasil". Porque pode até ser que as rádios e programas de TV não estejam mais interessados no rock´n´roll. Mas é questão de saber onde e como garimpar!

Eu mesmo me surpreendo com o quanto ainda desconheço. A maioria da lista de melhores discos de 2013 feito pelo portal Rock Press eu ainda preciso investigar:


Existe uma infinidade de grandes discos que infelizmente não recebem a merecida atenção da imprensa. E portanto canções que deveriam ser ter se tornado hinos de uma geração acabam se perdendo pelo caminho (graças também à – muita equivocada, na minha opinião – resistência das bandas em incluir no repertório canções que não sejam de sua autoria. Eu acredito que um dos segredos para a vitalidade e resistência do samba está na maneira como seu repertório é divulgado nas rodas. Muita gente sabe de cor as músicas, mesmo nunca tendo escutado alguma gravação daquele tema).

Comecei a fazer essa lista faz algumas semanas, e há poucos dias, coincidentemente, meu amigo Marcus Losanoff fez outra, apenas sobre os anos 90 – motivado pela leitura do livro “Cheguei bem a tempo de ser o palco desabar”, do jornalista Ricardo Alexandre. As listas se complementam, e ele me autorizou a publicar a dele aqui.

Então vamos lá. A minha lista é apenas de discos lançados a partir de 2000(obedecendo a dois critérios arbitrários: apenas 1 disco de cada artista e meu idiossincrático gosto pessoal.). E veja como "o rock brazuca vai muito bem, obrigado": acho que metade desses 68 discos foram lançados nos últimos 5 anos!

1. Andreia Dias: “Vol. 1”, Scubidu / Vértices Discos, 2007 – São Paulo.

2. Apanhador Só: “Apanhador Só”, independente, 2010 – Porto Alegre.


3. Arthur Joly: “Apresenta Jam Jolie Orquestra”, Reco-Head Records, 2006 – São Paulo.

4. Astromato: “Melodias de uma estrela falsa”, midsummer madness, 2000 – Campinas (SP).

5. Autoramas: “Música Crocante”, Coqueiro Verde, 2012 – Rio de Janeiro.

6. Alice : “Ruído”, independente, meados dos anos 2000 – Rio de Janeiro (banda que revelou o cantor e compositor Cícero Rosa Lins).

7. Banzé, “De pernas pro ar”, Mondo 77, 2005 – São Paulo.

8. Bidê ou Balde: “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor!”, Antídoto / Abril Music, 2000 – Porto Alegre.

9. Big Trep (A Grande Trepada): “Meia-noite insana”, independente, 2003 – Rio de Janeiro.

10. Cambriana: “House of tolerance”, Fósforo Discos, 2012 – Goiânia.


11. Canastra: “Chega de falsas promessas”, Revista Outra Coisa, 2007 - Rio de Janeiro.

12. Cartolas: “Original de Fábrica”, independente, 2006 – Porto Alegre.

13. Cassim & Barbária: “Cassim & Barbária”, midsummer madness / BNS Sessions, 2009 – Florianópolis (SC).

14. China: “Moto Contínuo”, 2011 – Recife / São Paulo.

15. Cidadão Instigado: “Uhuuu!”, Totem Estúdio, 2008 - Fortaleza (CE).


16. Companhia Itinerante: “Sendo Eu”, Som Livre Apresenta, 2007 – Rio de Janeiro.

17. Churrus: “Transcontinental”, Sinoweb / UFSJ / midsummer madness, 2013 – São João Del Rey (MG).

18. Coletivo Rádio Cipó: “Formigando na calçada do Brasil”, Ná Records, 2008 – Belém do Pará.

19. Destruidores de Tóquio:”O avesso e o avesso”, 2008, Ná Music, - Belém do Pará,

20. Dudu Tsuda: “Le son par lui même”, independente, 2012.

21. Faichecleres: “Indecente, imoral & sem vergonha”, Antídoto, 2005 – Curitiba (PR).

22. Filhos da Judith: “Filhos da Judith”, Coqueiro Verde, 2011 – Rio de Janeiro.

23. Flávio Abbes: “Pensamento Inconstante Flutuante”, independente, começo dos anos 2000 – Rio de Janeiro.

24. Flu: “Rocks”, YB Music, 2012 – Porto Alegre.

25. Garotas Suecas: “Escaldante Banda”, American Dust (LP), 2010 – São Paulo.

26. Gilber T: “Eu não vou morrer hoje”, Tomba Records, fins dos anos 2000 – Niterói (RJ).

27. Gork: “Tomoroll Tecnik”, Pisces Records, 2012 – São Paulo. Power trio que tem o André Abujamra, do Mulheres Negras, na guitarra.


 28. Humberto Barros: “Trancado no Quarto Colorido”, independente – Rio de Janeiro.

29. Hurtmold: “Cozido”, Submarine Records, 2002 – São Paulo.

30. Identidade: “Jogo Sujo”, Good Music Records, 2006 – Porto Alegre.

31. Juvenil Silva: “Desapego”, Carozo Records, 2013 – Recife.

32. Koti & Os Penitentes: “Caído na sarjeta”, Pisces Records, 2008 - Curitiba.

33. Lasciva Lula, “Sublime Mundo Crânio”, independente, 2008 – Rio de Janeiro.

34. Les Pops: “Quero ser cool”, Discobertas, 2011 – Rio de Janeiro.

35. Letuce: “Plano de fuga para cima dos outros e de mim”, Bolacha, 2011 – Rio de Janeiro.


36. Los Canos: “Cada dia mais limpo e romântico”, Laja Records, 2006 – Salvador.

37. Lulina: “Cristalina”, YB Music, 2009 – Olinda (PE).

38. Luneta Mágica: “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida”, independente, 2012 – Manaus (AM).

39. Marcelo Jeneci: “Feito pra acabar”, Slap Music, 2010 – São Paulo.

40. Marcelo Mendes & Os Bacanas, “No embalo do Helicóptero”, Pisces Records, 2010 – Florianópolis (SC).

41. Mauro Motoki: “Bom Retiro”, independente (e lançado em LP!), 2012 – São Paulo.

42. Momo: “Buscador”, Umbilical, 2008 – Rio de Janeiro.

43. Mr. Spacecake: sem título, midsummer madness / Pisces Records, 200? – Fortaleza, CE. Disco solo do guitarrista Regis Damasceno, que toca com Cidadão Instigado, Guizado e outros.

44. Mundo Livre S/A: “Novas lendas da etnia Toshi Babaa”, Zero Ponto-Um / Zeroneutro / Coqueiro Verde, 2011 – Recife (PE).

45. Nelson & Os Gonçalves: "A batalha dos Arcos", independente, 2008 - Rio de Janeiro.

46. Netunos: “Alto mar”, Rastropop, 2006 – Rio de Janeiro.

47. Nevilton: “Sacode!”, Oi Música / Bolacha Discos, 2013 – Umuarama (PR).

48. Ortinho: “Herói Trancado”, independente, 2010 -  Recife (PE).


49. Os Telepatas: “Bandeirantes”, Trombador Discos, 2008 - São Paulo.

50. O Terno: “66”, Tratore, 2012 – São Paulo.

51. Pelvs: “Península”, midsummer madness, 2001 – Rio de Janeiro.

52. Renato Godá: “Canções para embalar marujos”, independente, 2010 – Curitiba (PR).

53. Rodrigo Santos: “O diário do homem invisível”, Som Livre, 2009 – Rio de Janeiro.

54. Sabonetes: “Sabonetes”, Nikolay Produções, 2009 – São Paulo.

55. Sapatos Bicolores: “Clube quente dos Sapatos Bicolores”, Monstro Discos / Radiola, meados dos anos 2000 – Goiânia.

56. Selvagens à Procura de Lei: “Selvagens à Procura de Lei”, Universal, 2013 – Fortaleza (CE).

57. Superguidis: “Superguidis”, Senhor F, 2006 – Porto Alegre.


58. Thee Butcher´s Orchestra: “Golden Hits by...”, Ordinary Records / Sebo 264, 2000 - São Paulo.

59. Ultraman: “Olelê”, Rock it! / RDS Fonográfica, 2000 – Porto Alegre.

60. Vários: trilha sonora do filme “Era uma vez dois verões”, Casa de Cinema de Porto Alegre, 2002. Participam as bandas Papas na Língua, Pato Fu, Ultramen, Sombrero Luminoso, Jay Walkers, Video Hits, NIkita e Tequila Baby, além de Frank Jorge, Nei Lisboa, Cássia Eller e Wander Wildner. Ou seja: uma excelente amostragem do que rolava de mais bacana pelos pampas naquela época.

61. Vanguart: “Vanguart”, independete, 2007 – Cuiabá (MT).


62. Vários: “Marlindo”, Transfusão Noise Records, 2012 – basicamente Rio de Janeiro (mas com participações de bandas de outras cidades). Trilha sonora para uma Novela Gráfica criada por Fábio Lyra (que assina muitas capas para discos da Transfusão) em parceria com o fundador do selo, Lê Almeida. A HQ (até hoje não lançada!) gira em torno de um cara na casa dos 20 e poucos anos e dos seus amigos, por vezes tão perdidos quanto ele (pensar no futuro? Arrumar um emprego? Fazer faculdade? Ou só curtir o que tá rolando?). Participam as bandas Suíte Parque, Top Surprise, Fujimo, Tape Rec, Hierofante Púrpura, Loomer, Trash No Star, Aroflogilo Pai, Medialunas, Babe Florida, Cretina, Looking For Jenny, Badhoneys, The John Candy, Carpete Florido, Treli Feli Repi e o cantor Wallace Costa.

63. Vera Loca: “Meu toca discos se matou”, independente, 2002 – Santa Maria (RS).

64. Vespas Mandarinas: “Animal Nacional”, Deck Discos, 2013 – São Paulo.

65. Violins: “Tribunal Surdo”, Monstro Discos, 2007 – Goiânia.



66. Wagner José & Seu Bando: “Uma dúzia é dez”, independente, 2008 – Rio de Janeiro

67. White: “Rocking Land”, independente, 2009 –projeto do duo de compositores Alexandre, guitarrista carioca, e Pedro Freitas Branco, cantor lisboeta radicado no Rio.

68. Zefirina Bomba: “Nós só precisamos de 20 minutos pra rachar sua cabeça!”, Tamborete / SubFolk, 2009 – João Pessoa (PB).


 # # #

“Ninguém me pediu, mas inspirado por esta romântica vibe noventeira, faço uma lista de 50 discos do indie/rock/pop brasileiro da década de 90 que ajudaram a forjar o meu caráter músico-comportamental durante a espinhenta - e espinhosa - aborrecência. Ainda tenho todos os álbums em K7/demo, CD ou vinil (menos o do Sleepwalkers, infelizmente... mas preciso tê-lo, discazo!).” Marcus Losanoff é jornalista e tem o programa de rádio CAMBIO, dedicado ao rock hispânico e lusitano.

http://cambioradio.blogspot.com.br/



Pin Ups - Time Will Burn (1990)

Pelvs - Peter Greenaway's Surf [Summer Version] (demo - 1991)

Sepultura - Arise (1991)

DeFalla - Kingzobullshitbackinfulleffect (1992)

Little Quail and the Mad Birds - Lírou Quêiol en de Méd Bãrds (1992)

Killing Chainsaw - Killing Chainsaw (1992)

Virna Lisi - Esperar o Quê? (1992)

Pin Ups - Gash [A Mellow Project by Pin Ups] (1992)

Sepultura - Chaos A.D. (1993)

Legião Urbana - O Descobrimento do Brasil (1993)

Pato Fu - Rotomusic de Liquidificapum (1993)


OZ - Très Bien Mon Ami (demo - 1993)

Second Come - You (1993)

Pelvs - Peter Greenaway's Surf (1993) 

Pin Ups - Scrabby? (1993)

Second Come - Super Kids, Super Drugs, Super God and Strangers (1994)

Low Dream - Between My Dreams And The Real Things (1994)

Garage Fuzz - Relax in Your Favorite Chair (1994) 

Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos (1994)

Raimundos - Raimundos (1994)

Skank - O Samba Poconé (1995)

Pato Fu - Gol de Quem? (1995)

Dash - Uh-La-La (1995) 

Maria do Relento - Maria do Relento (1995)

DeFalla - Top Hits (1995)

Maskavo Roots - Maskavo Roots (1995)

Planet Hemp - Usuário (1995) 

Graforréia Xilarmônica - Coisa de Louco II (1995)


OZ - Sangre de Dios (1995)

Raimundos - Lavô Tá Novo (1995)

Pin Ups - Jodie Foster (1995)

Sepultura - Roots (1996)

O Rappa - Rappa Mundi (1996)

Little Quail and the Mad Birds - A Primeira Vez Que Você Me Beijou (1996)

Chico Science & Nação Zumbi - Afrociberdelia (1996)

Pato Fu - Tem Mas Acabou (1996)

Planet Hemp - Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997)

Charlie Brown Jr - Transpiração Contínua Prolongada (1997)

Low Dream - Reaching For Baloons (1996)


Piu Piu & Sua Banda - Antibiótico (1997) 

Maria Bacana - Maria Bacana (1997) 

Wander Wildner - Baladas Sangrentas (1997) 

Racionais MC's - Sobrevivendo no Inferno (1997) 

Funk Fuckers - Bailão Classe A (1997)

Comunidade Nin-Jitsu - Broncas Legais (1998) 

Otto - Samba pra Burro (1998)

O Rappa - Lado B Lado A (1999)

Los Hermanos - Los Hermanos (1999)

The Cigarettes - Bingo (1997)


Mundo Livre S/A - Por Pouco (2000) > eu amo esse disco, tinha que incluí-lo...

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Eu acrescentaria quatro discos à essa lista de grandes jóias do rock brazuca (na verdade esse artigo lista 122 discos. Mas quem liga? Detalhes...):

Acabou La Tequila: “O som da Moda”, PingPong Discos, 1999 – Rio de Janeiro.

Acústicos & Valvulados: “Acústicos & Valvulados”, Antídoto – Porto Alegre.

Alvin L: “Alvin L”, BMG-Ariola, 1997 – Rio de Janeiro.

“Paredão”: reunindo cinco bandas cariocas (Sex Noise, Poindexter, Profeta, Kamundjangos e The Funk Fuckers) e uma curitibana (Resist Control) que retratam bem a onda do rap-core-metal que estavam bombando em meados dos anos 90. Me parece ter sido também uma das última tentativas de uma grande gravadora (EMI) de apostar num som nitidamente roqueiro (pesado, acelerado e boca suja). Mérito do executivo João Augusto, que anos depois criaria a Deck Discos. Os Kamundjangos seguem na ativa, agora apenas como Djangos, e o Plínio Gomes, vulgo “Profeta”, é hoje o produtor responsável por muitos dos melhores discos que estão na área fronteiriça entre MPB e rock / pop – apostaria até que depois da “era Kassim”, estamos adentrando a “era Plínio Profeta” em termos de padrões para artistas finos e versáteis. “Paredão” foi lançado em 1996.


# # #

Outro dia rolou uma discussão interessante no feicebuqui. Lá pelas tantas me ocorreu que de repente o produto "banda" não é mais tão interessante pros músicos, e arrisco 2 palpites pra explicar isso:

1) as gravadoras não estão valorizando esse formato, não parecem estar interessadas em investir nisso.

2) os músicos foram obrigados a "se agenciar", a planejar sua própria carreira (algo que antes um produtor, em geral funcionário da gravadora, faria por ele) e com isso os "mutirões" (seja fazer um show / turnê, seja pra gravar um disco) são vistos como "projetos", e não como "empregos" (que foi o que uma banda significou, em outros tempos).

O que acho meio triste é que, a meu ver (é só uma impressão), os músicos estão apostando pouco nos "projetos".Parece que se o projeto não dá resultado num prazo relativamente curto, ele já é jogado pra escanteio, e o cara salto pro próximo - com outros parceiros, outros formatos, outras sonoridades.

Um caso prático: o PANAMERICANA. Depois de meses de burburinho, só tive notícia de um show no Rio de Janeiro: na verdade 2 datas, sexta e sábado de um mesmo final de semana, no Oi Futuro (que tem uns 100 lugares). Fui lá na sexta, logo depois do almoço, e os ingressos haviam se esgotado.

No fim das contas fiquei sem escutar... até hoje minha curiosidade não foi satisfeita. E ao que parece o projeto foi engavetado.


"Panamericana, formada por ninguém menos que o ex-guitarrista do Legião Urbana, Dado Villa-Lobos; o ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin; o ex-baixista do Barão Vermelho, Dé Palmeira; e o ex-vocalista do Hojerizah, Toni Platão.

O repertório traz versões em português de canções de pop e rock argentino e uruguaio, assinadas por autores do rock nacional clássico dos anos 1980, como Alvin L, Humberto Effe, Fausto Fawcet, Dé Palmeira, Sergio Britto e Moska. Entre os compositores argentinos estão Luis Alberto Spinetta, com "Barro Talvez"; Charly García, com "Passageira em trance"; Sumo, com "Mañana en el Abasto" e Fito Paez, com "Mariposa Tecknicolor". Já os destaques uruguaios são La Vela Puerca, com "Zafar" e No Te Va Gustar , com a música "Angel con campera"."


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Pra haver cena tem que existir lugares onde as pessoas se encontram, tocam e trocam informações - e não surgiram mais casas ou bares, como acontecia antes. Por quê? Porque a cena não acontece mais como acontecia. Os jovens, protagonistas dessa cultura alternativa, estão se encontrando nas ruas, ocupando as praças e parques. Os nomes das bandas não interessam mais: são pessoas tocando, sem ego.

O mundo acabou! É preciso reinventar a si mesmo.

Tudo!, o modo como fazemos e apresentamos a musica. esquecer os velhos caminhos! Sair de casa! sair da cidade! Largar o conforto de uma vida de mesmice!”

Wander Wildner, nesse mesmo papo feicebuquiano





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