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Guia do Rock Underground Brasileiro, Parte 8: Veteranos que correm por fora & revistas especializadas

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VETERANOS QUE “CORREM POR FORA”:

Entre as bandas que já foram do primeiro escalão do rock nacional, com grande exposição na mídia, e que seguiram lançando ótimos discos, mesmo quando já não conseguiam tanto espaço, estão o Nenhum de Nós, o Ira! (defendo com todas as armas o “Invisível DJ”, de 2009) e o Hanói Hanói, por exemplo (seu líder e principal compositor, Arnaldo Brandão, na área desde os tempos de O Peso, nos anos 70, continua lançando bons discos, agora em carreira solo).



E existe um caso ou outro de artistas que se tornaram “bandas de baile”, lotando estádios (e feiras agrárias, ou até rodeios) pelo interior do Brasil– normalmente depois de lançar um disco de estúdio apenas com versões para clássicos dos anos 80. O caso mais notório é o Biquini Cavadão, que chegou a bater o antigo campeão de shows desse tipo (o Amado Batista), e com isso pôde financiar seu último e ótimo disco de inéditas, “Roda Gigante”, de 2013 – uma produção independente com distribuição da Warner.


Rodrigo Santos é outro cara que tem conseguido manter uma prolífica produção autoral, de ótima qualidade, graças aos shows que faz cantando clássicos do Barão Vermelho (banda em que é baixista) e de outros figurões do rock brazuca, salpicados com uns hits gringos (muitas vezes dentro do contexto de sua própria trajetória: ele tocou com Andy Summers, por exemplo), conseguindo assim segurar platéias difíceis, avessas à novidades, como a massa disforme que freqüenta o Rock in Rio nos dias de hoje. Existe uma turma, aliás, ligada ao Barão Vermelho, que andou lançando ótimos discos, curiosamente todos mais interessantes do que praticamente tudo que a banda “oficial” deles fez nos últimos 20 anos. O que me motivou a escreveu o artigo “Pistas de que o Barão Vermelho ainda poderia fazer um grande disco”:


E vale dizer que quando escrevi esse artigo ainda tinha ressalvas sobre a obra solo do Rodrigo Santos. Depois de escutar atentamente seus 2 álbuns mais recentes, “O diário de homem invisível” (2009) e “Motel Maravilha” (2013), e de vê-lo em ação no palco, fui completamente convencido: o cara é um compositor de mão cheia e um performer excelente. E prevendo que o leitor não aceite o convite para ler o outro artigo, deixo aqui a recomendação daquele que julgo o mais talentoso desses caras, o Humberto Barros, multi-instrumentista e compositor que lançou dois fantásticos discos solo: “O mundo está fervendo” (2006) e “Brincando no quarto colorido” (o melhor deles). Como tecladista, Humberto já tocou com deus-&-o-mundo: Kid Abelha, Heróis da Resistência, Lobão, Paulinho Moska, Autoramas, Zeca Baleiro, Leoni, Ritchie, Zélia Duncan, Cidade Negra, Fernanda Abreu, Rita Lee e Negra Li, entre outros. Na época desconhecia o disco “Do nada ao tudo”, o mais recente trabalho do Humberto. Pode ser escutado aqui:



(O que assusta é que até Roberto Frejat, líder do Barão Vermelho que partiu, em carreira solo, para um pop-romântico-levemente-roqueiro comercialmente bem sucedido, precise hoje montar um “show-baile”, para manter seu fluxo de caixa. Conforme ele explica num artigo publicado no jornal O Globo - “Pense e Dance”, 31 de janeiro de 2014, pág. 3 do Segundo Caderno -, o show “O amor é quente” utiliza uma fração das canções autorais que normalmente constituem seu repertório, e é complementado por “releituras” de Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. Segundo Frejat, “as platéias hoje andam muito dispersas”. )

Mas alguns trabalhos de “resgate” artístico podem funcionar como celeiros de experimentação que contribuem para a renovação da cena, quase como um disco de inéditas. É o caso também da Fabulosa Orquestra de Rock´n´Roll do Roger (do Ultrage à Rigor) e do Lafayette & Os Tremendões - organizada por Gabriel Thomaz, do Autoramas, depois que ele viu seu ídolo tocando numa praça de alimentação de Shopping; e que conta com Érika Martins (ex-Penélope), Nervoso (ex-Beach Lizards e ex-Acabou La Tequila), Renato Martins, (ex-Acabou La Tequila, atual Canastra) e Melvin Fleming (ex-Carbona e ex-Hill Valleys).


Outro disco recente de “versões” (às vezes muito diferente das originais) é o “Hits do Underground”, da dupla André Frateschi & Miranda Kassim. O repertório foi muitíssimo bem escolhido e traz alguns dos melhores compositores da “cena under”: Vanguart, Curumin, O Degrau, Mombojó, Cérebro Eletrônico, Numismata, Wado, Rubinho Jacobina, Ludov, Os Mulheres Negras e Wander Wildner. O casal Frateschi & Kassim tem outros dois trabalhos de versões: “Heroes” (tributo ao David Bowie) e “Divas do Soul” (dedicado à Amy Winehouse e outras divas).


A Deck Discos iniciou há uns meses uma série de lançamentos muito bacanas: splits em que 2 bandas "se enfrentam": uma reinterpretando o repertório da outra. A série foi inaugurada pela peleja entre Ultraje a Rigor e Raimundos, e o duelo entre Mundo Livre S/A e Nação Zumbi saiu inclusive em LP.


Finalmente há dois discos que merecem ser incluídos na sua listinha de “aquisições futuras”: “SP55” do Sérgio Britto (dos Titãs), de 2010, e, principalmente, o único disco solo de Alvin L (do Sex Beatles), lançado em meados dos anos 90. Tenho a impressão de que Alvin foi um dos únicos roqueiros brasileiros que incursionou pela sonoridade de madchester– aquele som dançante criado pelo Happy Mondays, Charlatans, New Fast Automatic Daffodils e Stone Roses.


“Last, but not least”: Edgard Scandurra, guitarrista e compositor do Ira! lançou dois discos incríveis (antes de cair de cabeça na música eletrônica), que devem constar em qualquer boa coleção dedicado ao rock brasileiro: “Amigos Invisíveis” (1989) e “Benzina” (1996). Isso dentro de uma sonoridade mais radiofônica, porque nos anos 80 o cara teve uma uma dúzia de projetos paralelos aos Ira!, sempre dentro do universo do pós-punk, sempre com ótimos resultados!



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REVISTAS ESPECIALIZADAS & COLETÂNEAS QUE MARCARAM ÉPOCA:

André Forastieri é um dos jornalistas que prestou grandes serviços à causa. Em 1994 ele saiu da Bizz (a revista brasileira mais importante do gênero, fundada em 1985) e criou a revista General, que apresentou aos brasileiros bandas como Beastie Boys, Blur, The Breeders e Radiohead– numa fita K7 que veio de brinde na sua sexta edição. Outra publicação fundada por quem fez escola na Bizz foi a [ ]Zero, que teve apenas 14 edições, a partir de 2002 (Luiz César Pimentel disponibiliza tudo para download emhttp://luizcesar.com/revistas/ ).


A revista TRIP (hoje tão.... irrelevante) lançou em fins dos anos 90 / início dos anos 2000 umas coletâneas de peso em termos de cenas alternativas. Além de uma dedicada ao CEP 20.000 (alternando canções e performances poéticas), rolou uma com 18 bandas gaúchas (“1 kg de Sul Music”), uma de sons funkeados (além de uns lances mais miami-bass-de-favela, trazia Funk Como Le Gusta, Gerson King Combo, Black Alien & Speed Freaks, Sindicato do Groove e João Parahyba & Suba, numa linha mais James Brown / Kool & The Gang / Funkadelic), outra de reggae nacional (Tribo de Jah, Skuba, Professor Antena, Ras Bernardo etc) e um panorama da cena de Recife (“Rec Beat ao Vivo”), entre outros. Guardei até um que reúne bandas que não fazem um tipo de som do meu agrado, apenas para ter uma “porta de entrada” se um dia eu resolver virar headbanger: “Porrada!!!: Ratos de Porão + 12 sons pra quem gosta de peso, selecionadas por Andreas Kisser do Sepultura” – só tem bandas brasileiras: Tolerância Zero, Mary Walks Alone, Infierno, Nitrominds, Lucrezia Borgia, Korzus, Varukers etc.



Entre 2003 e 2008 o cantor (e eterno infant terrible da cena) Lobão criou a revista OutraCoisa, que sempre trazia um CD encartado: estréias de peso (Vanguart, B Negão & Seletores de Frequência, Mombojó, Canastra, Cachorro Grande, Faichecleres, Cascadura), rappers que curtiam um crossover (Instituto, 5º Andar), discos de alguns dos “lobos solitários” da velha guarda (o próprio Lobão, Wander Wildner, Plebe Rude, Arnaldo Baptista e, àquela altura, podemos incluir o Rogério Skylab) e outros – como Bidê ou Balde, Réu & Condenado, Astronautas e Carbona. Na verdade Lobão havia é descoberto um truque para lançar discos usando as isenções fiscais destinadas à livros e revistas! Algo que se iniciou com o lançamento do melhor disco de sua fase “madura”, o excelente “A Vida É Doce”, de 1999 – à altura de seus clássicos dos anos 80, e cuja turnê promocional rendeu o igualmente inspirado “Ao vivo no Universo Paralelo”, de 2001.


O jornalista Ricardo Alexandre, autor do livro “Dias de Luta”(sobre o rock dos anos 80) foi um dos fundadores da revista FRENTE, lançada em 2002 e que jogou a toalha depois de apenas 3 números. Não sem antes lançar uma ótima coletânea em CD entitulada “Canções  que gostaríamos de ouvir no rádio”, com Astromato, Cachorro Grande, PB, Los Hermanos, Professor Antena, Magazine, Wander Wildner, Casino, Wado, Sonic Júnior, Instituto & Sabotage, Stereo Maracanã, Thee Butchers´ Orchestra, MQN e Mini. Isso foi em 2002, o que mostra que, naquele momento, algo levou muita gente a crer que havia uma cena consistente, que oferecia oportunidades comerciais concretas.


A grande questão é: foi uma miragem? O que será que esse pessoal enxergou? Ou, se havia boas razões para o otimismo, o que deu errado?  Esse é o tom da instigante entrevista feita pelo site Observatório da Imprensa:



Finalmente, vale lembrar o CD promocional que foi lançado em conjunto pela Revista MOSH!, a festa LOUD! e o selo Rastropop, em 2006. O encarte funciona como uma edição especial da revista em quadrinhos dedicada ao rock´n´roll, com projeto gráfico do artista gráfico Sandro Menezes. A relevância para a cena da revista criada por Renato Lima e S. Lobo já foi comentado aqui, no capítulo 6: http://aptovazio.blogspot.com.br/2014/02/guia-do-rock-underground-brasileiro_4373.html

"I Want it Loud" traz 10 bandas: Monkavision (RS), Eddie (Recife), The Feitos, Nelson & Os Gonçalves, Canastra, Netunos, Maurício Negão, Lasciva Lula, Staples, Pic Nic e Taw - todas essas outras aqui do Rio de Janeiro. No link abaixo: uma resenha publicada no Rock Em Geral, do Marcos Bragatto:





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