Reunião de condomínio é um saco, não? Mas é legal quando se consegue resolver o problema, seja da infiltração ou da vaga de garagem.
É mais ou menos como me sinto com relação à política: é uma chatice, mas não dá pra negligenciar um aspecto tão importante da vida.
É consenso que está tudo muito errado. Todo mundo repete o bordão: os políticos são uns safados, é uma danada duma roubalheira, os serviços públicos são péssimos e quem tira proveito são os cumpadres dos poderosos. Ok. Mas sem exemplos concretos, esses queixumes ficam muito pobres, quase no mesmo patamar que as reclamações quanto ao mau tempo. É, tá chovendo muito pouco... Que pena.
Às vésperas das eleições para o executivo e o legislativo estadual e federal, eu gostaria de botar na roda uns dados que andei compilando nos últimos meses. São dados de artigos publicados nos jornais (principalmente em O Globo – meu vizinho assina, e sempre que termina de ler, ele deixa na minha varanda).
Você notará que a maioria dos temas mais em voga nesta eleição não estão aqui. Não discutirei liberdade religiosa, questões de gênero, aborto ou casamento gay. Tenho dois motivos pra isso. Primeiro: não conheço uma pessoa sequer que, sendo culta e cosmopolita, queira proibir os outros de fazerem essas escolhas, e muito menos queira puni-los. Mesmo meus amigos que são religiosos, e portanto politicamente conservadores, acreditam que cabe às forças divinas esse julgamento, e podem até lamentar certas condutas, mas não ficam pentelhando quem as pratica.
Quem muito lê e viaja, quem é capaz de debater com elegância e profundidade, quem tem acesso à arte e exercita a imaginação... essas pessoas normalmente convivem com uma grande diversidade de pessoas. Em quase todas as áreas profissionais, o sucesso exige uma boa dose de tolerância e diálogo, pois significa lidar com a diversidade. Gente bem nutrida, física e intelectualmente, é capaz de enxergar o mundo com mais tonalidade, não apenas em preto e branco.
Segundo: a imensa maioria dos brasileiros é obrigado a lidar com problemas mais prosaicos, quase todos ligados à falta de grana, e nem pode se dar ao luxo de certas escolhas ou julgamentos. Isso vale pra mulher que já tem 4 filhos, e precisa interromper a quinta gravidez, porque não tem como alimentar mais uma criança. E vale também pra senhora beata, que não pode expulsar o filho gay de casa, porque ele é quem ajuda a manter a geladeira cheia. Se esquecer do dono de botequim, que é vascaíno roxo, mas não vai deixar de receber os torcedores do Flamengo em dia de jogo!
Ou seja: nosso grande problema é estarmos fora do Primeiro Mundo, economicamente falando. Ainda somos um país relativamente pobre. Os governos do PT tem um grande mérito na redistribuição de renda, no combate à miséria. Mas pouco foi feito para reposicionar o Brasil na economia global; torná-lo mais produtivo e competitivo. Em certos aspectos, na verdade até andamos para trás. Essa afirmação pode causar desconfiança, mas realmente acredito nisso: uma população mais rica será necessariamente uma população mais tolerante e liberal – inclusive quanto aos costumes.
Existem algumas outras questões que considero bastante urgentes, como a desmilitarização das polícias e a racionalização dos recursos naturais. Mas não vejo muito o que discutir: a maior parte dos episódios, nesse âmbito, são simples casos criminais. É questão de identificar e punir o PM que mata e a empresa que despesa lixo onde não pode. As polícias (e os bombeiros também) são instituições que conservam abomináveis traços do período recente de ditadura – além outras heranças nefastas, oriundas de sua formação histórica – e provavelmente é mais fácil começar do zero, do que tentar mudar a mentalidade de seus comandantes. (Vale lembrar que o chefe do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar do RJ, Cel. Alexandre Fontanelle, foi preso no último dia 16, acusado de chefiar um esquema de extorsão na região de Bangu. Como comandante da COE, ele era o terceiro na hierarquia da PM fluminense.Em 1994, quando o Ministério Público estadual estourou a fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, em Bangu, encontraram o nome de TODOS os oficiais do 14º Batalhão, à exceção do comandante, nos livros-caixas onde se registrava o pagamento de propinas. Em 2006, durante a operação Gladiador deflagrada pela Polícia Federal, o então comandante do Batalhão de Bangu, Cel. Celso Noqueira, foi preso por dar proteção ao bicheiro Fernando Ignácio. Naquele mesmo ano foram detidos 76 PMs da unidade, suspeito de venderem armas e munição aos traficantes do bairro.)
E quanto às questões ecológicas, acredito que elas perderam suas tintas ideológicas (apesar dos militantes radicais, cada vez mais esotéricos e irrelevantes) e foram absorvidas pela ciência, no seu sentido mais amplo. A sociedade se viu forçada a gerir melhor os recursos naturais, nem que seja pelo mais mesquinho dos motivos: continuar usufruindo de conforto material, pelo maior tempo possível. Não é preciso amar os animais ou as florestas para ser um gestor de uma empresa preocupado com reciclagem. Há muito tempo que a reciclagem virou um negócio interessante.
Quanto à corrupção, também é mais caso de polícia do que de política.Tem a ver com falta de transparência e excesso de impunidade. E para avançarmos é preciso que o povo leia mais atentamente jornais melhores, conheça melhor a lei e saiba quais são seus direitos e quais são os instrumentos de cobrança, é preciso um povo que se mobilize mais - como aconteceu no segundo semestre do ano passado. (E por aí o leitor já deve imaginar em qual partido eu vou votar, nessas eleições.) Também é preciso que mais gente da base da pirâmide social, sem rabo-preso, ascenda aos cargos de poder e prestígio (inclusive no Judiciário). E principalmente, é preciso que haja mais possibilidades de ascensão social e enriquecimento na iniciativa privada do que nas carreiras de servidor público! Explicitando o que está nas entrelinhas do que acabo de escrever: desonestidade e ganância são males que sempre afligiram e continuarão afligindo a humanidade, mas a situação vai melhor muito com um setor privado robusto e dinâmico, somado à renovação dos altos quadros estatais por gente não comprometida - por laços de amizade ou familiar – com as velhas oligarquias.
Mas só pra mostrar que não ignoro essa maldita corrupção: a Controladoria Geral da União descobriu que pelo menos 812 pessoas foram beneficiadas por uma fraude no seguro-desemprego, causando prejuízo aos cofres públicos de pelo menos R$ 2,5 milhões, apenas em 2013 (O Globo, 7/9, pág. 27). O problema foi detectado pela primeira vez em 2011, quando o CGU identificou 1.232 servidores públicos que receberam indevidamente o benefício (roubalheira no valor de R$ 108,7 milhões), mas nada foi feito para inibir novas irregularidades.
Enquanto isso, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, os desempregados precisam dormir na fila para conseguir uma das 40 senhas distribuídas diariamente, para dar entrada no pedido de seguro-desemprego. A reportagem do Globo entrevistou a garçonete Helena de Souza, de 38 anos: ele havia chegado às 8 da noite do dia anterior, e era uma das primeiras da fila, 12 horas depois, quando o guichê estava prestes a abrir – as senhas costumam acabar na primeira meia hora. Fazia 3 meses que ela tentava protocolar sua papelada.
E pra quem acha que é preciso o punho do Estado para garantir justiça social, recomendo que olhe para a Suíça: num referendo feito em meados de maio deste ano, 76% dos eleitores disseram não ao piso proposto para o trabalho em 42 horas semanais. A Suíça tem a sexta maior renda per capita do mundo. Lá não existe um piso definido e os salários são decididos por negociação individual ou por convenção coletiva. E apenas 10% da força de trabalho do país ganham menos de 4 mil francos-suíços mensais– ou cerca de R$ 10 mil.
Pois bem, vamos lá:
Finalmente, em 30 de setembro, o Banco Central reviu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro para míseros 0,7%. Sem mexer muito na previsão da inflação, que manteve em 6,3%. Isso significa que na verdade vamos empobrecer 5,6%. É muito simples: a riqueza produzida no país aumentou quase nada, e o preço da comida e do aluguel aumentou! E a gente sabe, pela rapidez com que nossa carteira se esvazia, que essa inflação oficial não condiz com a realidade, muito mais sinistra!
A região metropolitana do Rio de Janeiro tem a inflação mais alta do país: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, estava em 7,67% em 9/9. Por aqui comer fora (inevitável numa cidade em que a distância entre trabalho e casa é imensa) ficou 11,44% mais caro - e consome 10% do orçamento familiar, em média. Nesse período de 12 meses os aluguéis aumentaram 13,88%.Segundo Darcílio Junqueira, superintendente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), a Copa do Mundo frustrou as expectativas: “Está sendo um ano difícil. A Copa foi boa só para bares de uma certa região da cidade. Excetuando a Avenida Atlântica, Ipanema e Tijuca, no geral tivemos perdas” (Globo, 9/9, pág. 23)
(Uma curiosa reportagem de 30/8 – na pág. 15 - mostrou como o cinto está apertado, mostrando a mudança no horário de funcionamento dos bares e restaurantes cariocas, durante a semana. O Lamas fechava às 4h e agora encerra às 2:30h. O Capela, na Lapa, fez o mesmo. O Diagonal, no Leblon, prejudicado também pelas obras do metrô, ia até às 5h e agora fecha às 2h, quando muito. O Chico & Alaíde tentou esticar até 2h, mas não conseguiu pescar movimento para depois da meia-noite. Nem a Lapa escapa: o Boteco da Garrafa, na madrugada daquela quinta-feira, mandou a conta para as mesas às 1:30h.)
No dia 29 a pesquisa Focus, feira pelo BC, mostrou que os analistas do mercado financeiro cortaram pela 18ª semana consecutiva as previsões para o PIB, de 0,3% para 0,29%. Caso qualquer uma dessas previsões se confirme, seja a do governo ou a do mercado, será o pior resultado desde 2009, auge da crise financeira mundial, quando a economia brasileira encolheu 0,3%.
O varejo brasileiro teve o pior desempenho dos últimos 6 anos,segundo pesquisa do IBGE que saiu no dia 11/9. As vendas do comércio não crescem desde o Carnaval e na comparação com julho de 2013 houve um recuo de 0,9%. A coordenadora da pesquisa, Juliana Vasconcelos, disse ao jornal O Dia que “(julho) teve menos dias úteis por conta da Copa do Mundo, e a inflação ainda contribui”. Se deram mal até os setores que deveriam ter se beneficiado com os churrascos que os brasileiros fizeram para acompanhar os jogos: supermercados e outras lojas que vendem bebidas, produtos alimentícios e fumo tiveram queda de 1,3% em julho.
Durante a Copa do Mundo, os turistas estrangeiros trouxeram US$ 850 milhões para o Brasil, segundo o Banco Central. Já os brasileiros que foram passear na gringa levaram US$ 2,4 bilhões embora daqui. Foi o maior gasto dos brasileiros no estrangeiro desde que o BC começou a levantar esses dados, em 1947. Segundo Sergio Vale, economista da MB Associados: “Muita gente deve ter aproveitado o período da Copa para tirar férias fora daqui, com receio de manifestações e já sabendo que a economia ficaria parada.”
A FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) estima que cada feriado extra representa uma perda de R$ 7,27 bilhões para a produção. Para o comércio varejista, os economistas calculam uma queda de 9,2% dos lucros para cada feriado. E em São Paulo, que tem um movimento constante e pujante de turismo de negócios, o movimento caiu 60%. (Dados de reportagem do jornal Destak de 14/7.)
Quem ainda aplaude a política de mega eventos do governo carioca / fluminense precisa abrir os olhos. E vem mais prejuízo pela frente: uma das mais rentáveis feiras de negócios do país era a Rio Oil & Gas, que traz 42 mil turistas (a maioria de classe AA) e estava prevista para acontecer em 2016. Vai rolar, mas não mais no Rio de Janeiro, porque o Riocentro está reservado de maio a dezembro para as Olimpíadas. Alfredo Lopes, do Rio Convention & Visitors Bureau, em depoimento à Cleo Guimarães (12/9, pág. 5 do Segundo Caderno) alertou: “As feiras que foram para São Paulo não voltaram mais”.
Por conseqüência, caiu também a arrecadação: R$ 10,541 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.
Curioso é que o governo incentiva o calote, pelo menos aos olhos de quem tem grana pra pagar bons advogados. A Azul devia cerca de R$ 300 milhões ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo. Chegaram a um acordo: a companhia aérea matou a dívida sacando a barganha de R$ 14 milhões (coluna do Ancelmo Gois, 29/8). Agora, se você é um pobre-coitado dum cidadão comum.... A Dívida Ativa da Prefeitura do Rio vai protestar os débitos dos contribuintes. Para evitar o nome sujo, os 600 mil devedores notificados inicialmente terão que quitar o valor integral da dívida em até 72 horas (mesma coluna, 12/9).
O que fez o governo diante da receita mais magra? Decidiu manter a projeção de superávit primário (grana reservada para o pagamento de juros) em R$ 99 milhões (1,9% do PIB), sacou R$ 3,5 bi do Fundo Soberano (uma caixinha para ser usada em momentos de crise, criada em 2008) e cortou as despesas obrigatórias(previdência, encargos sociais, folha de pagamento e auxílio CDE) em R$ 7,41 bilhões. Quase metade desse corte deu-se em subsídios, subvenções e Proagro: R$ 3,061 bilhões.
AGORA PENSE NESSE DADO À LUZ DE UM FATO: A ATIVIDADE INDUSTRIAL BRASILEIRA ESTÁ MINGUANDO.
A produção industrial brasileira encolheu 2,6%, comparando-se o primeiro semestre de 2014 com o mesmo período de 2013, segundo reportagem de 2 de agosto (O Globo, página 25). Dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, 21 reduziram sua produção. “Mais do que o perfil disseminado de taxas negativas, no entando, há preocupação com os investimentos: a produção de bens de capital teve perda de 9,7% frente a maio e 21,1% na comparação com junho de 2013, esta última a mais intensa desde agosto de 2009 (-22,4%). No segundo trimestre a queda foi de 15% frente a igual período do ano passado. A produção de bens duráveis também se destacou e registrou o maior tombo da série histórica, de 24,9% frente a maio. Em relação a junho de 2013 o recuo foi de 34,3%, o mais intenso desde dezembro de 2008, em plena crise mundial.”
Apesar do grande peso da indústria automobilística nesses números, as perspectivas são ainda mais pessimistas para o setor de vestuário.De acordo com Roberto Chadad, presidente da Abravest (Associação Brasileira da Indústria do Vestuário), a falta de política industrial de longo prazo está acabando com as confecções brasileiras: “Está cada vez mais vantajoso produzir na Ásia. Um dia, não muito longe, não teremos mais produção de roupas no Brasil. Tudo virá do Oriente”. Eu, particularmente, acho que devemos mesmo nos livrar dos carros particulares, e nos reeducar para usarmos o transporte público – pelo menos nós, que vivemos em grandes cidades. Mas nós, enquanto país, perdermos a capacidade de produzirmos nossas próprias roupas, isso é absolutamente trágico.
Mas nada me assustou mais do que a reportagem de 21/7, capa do caderno de Economia: algumas empresas estão caminhando a passos tããão lentos, produzindo tão pouco, que preferiram vender energia elétrica no mercado, ao invés de usá-la na sua atividade fim.São indústrias que possuem usinas próprias de energia, e estão vendendo esse insumo. Empresas de mineração, siderurgia, papel e celulose e petroquímica, entre outras. Apenas as 12 maiores operações de liquidação de energia realizadas em maio renderam R$ 289,42 milhões, segundo planilha da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável pelo fechamento desse tipo de operação.
Existem também situações em que as empresas compraram energia anos atrás, por um preço baixo, e viram na alta atual uma possibilidade irresistível de ganho – a diferença pode chegar a 7 vezes, em alguns casos. Isso pode aliviar o leitor. O mercado livre é usado por empresas que respondem por cerca de 60% da produção industrial brasileira. Elas fecham contratos de médio e longo prazo para a energia que usarão em sua produção, e no caso de não usarem tudo, “devolvem” a energia excedente para o sistema, recebendo o pagamento pela tarifa no mercado á vista. Mas preste atenção ao comentário de Rodolfo Baltazar, diretor da Bolt Comercializadora: “Essas empresas estão enfrentando uma redução da sua atividade econômica. Para elas, a liquidação de seus contratos [de energia] é uma conseqüência conjuntural. Não é para ganhar com a venda de energia, é porque elas não têm para quem vender seus produtos.”
Os empregos formais tiveram o pior julho desde 1999, segundo pesquisa do IBGE divulgada em 21 de agosto. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, foram criadas apenas 11.796 empregos formais em julho. Queda de 71,5% em relação à julho de 2013. (A indústria de transformação fechou mais vagas do que abriu, nesse período: 15.392 empregos desapareceram.) No acumulado entre janeiro e julho, o saldo também é negativo: redução de 30% ante o mesmo período do ano passado. Em entrevista, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse estar otimista porque esse é “o fundo do poço”, portanto o futuro só pode ser de melhora. Que senso de humor, hein?
Já o setor publicitário está sorrindo de orelha á orelha. O custo de todas as campanhas durante essas eleições está estimado em R$ 72 bilhões, correspondente a mais do que o dobro do gasto prometido para a Copa, incluindo obras de mobilidade urbana, aeroportos, estádios, turismo e segurança pública. Desde 1965 a lei eleitoral prevê a possibilidade de o Legislativo fixar tetos para as campanhas, o que nunca aconteceu. (Dados da coluna de Gil Castelo Branco, economista e fundador da ONG Contas Abertas, publicada em 19/8.) Já um levantamento publicado em 16 de julho mostra a discrepância entre o custo das campanhas para governador e o Índice de Desenvolvimento dos estados brasileiros: Alagoas, o 3º pior IDH do país, terá a 3ª campanha mais cara para o executivo estadual, tanto em termos absolutos quanto em termos proporcionais ao eleitorado. Mas o estado campeão, em gastos na campanha, é Roraima! Onde os gastos por eleitor bate os 90 reais por cabeça.O Ceará terá a quarta campanha mais cara em números absolutos – apenas Camilo Santana, o candidato do PT, declarou à Justiça Eleitoral que pretende investir 64 milhões de reais na tentativa de conquistar o cargo.
Esse tal Camilo Santana é deputado estadual (foi o mais votado do Ceará em 2010), e está afastado de suas funções para disputar o cargo de governador. Mas mesmo quem não está concorrendo fica ocupado com a campanha de seus aliados e afilhados políticos. O Congresso Nacional, em Brasília, está vazio.E o resultado é que haverão apenas 4 sessões durante os meses de campanha. E sabe quanto custa o funcionamento do Congresso? R$ 24 milhões por dia, ou R$ 9 bilhões por ano, segundo o site Contas Abertas. Já nos EUA, se a Câmara não puder funcionar por mais do que 3 dias, tem que pedir anuência do Senado – e vice-versa. É preciso votar uma resolução conjunta autorizando a suspensão das atividades por aquele período.
Aliás: em jullho a Nissan entregou 65 novos carros para a Assembléia Legislativa do RJ. São do modelo Sentra 2.0, e a nova frota custou R$ 4,1 milhões. É que os Boras usados anteriormente eram muito velhos: foram comprados em 2009. A Presidência da República também andou indo às compras: 120 porta-guardanapos de prata, 5 vasos para arranjos de flores e 10 baldes de gelo. São para o Palácio da Alvorada e para a Granja do Torto, e custaram R$ 25 mil. (Dados da coluna do Ancelmo Gois)
Em tempo: a carga tributária brasileira é de 38% do PIB.(Antes da eleição de Fernando Henrique Cardoso, a carga era de 29,46%, e com os tucanos ela chegou a 32,47%. O restante da ladeira nós subimos graças aos petistas no volante.)
Poderia ser até de 48,2%, como na Dinamarca, se tivéssemos escolas e hospitais públicos como os dinamarqueses! Enquanto dinamarqueses, suecos e belgas (todos dando acima de 43% da sua renda para o Estado) não precisam esquentar a cabeça com segurança, educação e saúde, e desfrutam de metrôs maravilhosos, praças lindas e limpíssimas e ágeis repartições públicas, nós, brasileiros, temos que nos virar do avesso para pagar escola particular e plano de saúde, e torcer para não ter que depender da polícia.
Como poderia ser diferente, se nem os nossos governantes confiam nos serviços públicos? Não usam o transporte público, o SUS ou matriculam seus filhos nas escolas públicas? Em setembro o Tribunal de Justiça do RJ decidiu dar uma bolsa de até R$ 7.250,00 para financiar os estudos de filhos e dependentes de juízes e desembargadores. Aprovado, isso significaria um impacto de R$ 38,773 milhões nos cofres públicos, apenas este ano! A maioria dos magistrados recebe cerca de R$ 30 mil mensais brutos de vencimentos. O TJ pretende ainda estender o benefício aos seus servidores, no valor máximo de R$ 3 mil – o que resultará num gasto de R$ 128,877 milhões em 2015.
E a taxa de investimento do governo brasileiro? Em constante queda, está agora em 17,7%.
Pode-se escolher qualquer promessa, para qualquer setor, que a decepção é garantida. Em 2010 o governo anunciou um plano, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para instalar até o fim de 2014 placa solar para chuveiros em 2 milhões de casas do Minha Casa Minha Vida. Até 12 de maio, segundo reportagem do Globo (pág. 15), apenas 15.945 residências contavam com o sistema, ou 10,8% da meta.
Reportagem de 23/9 sobre a navegação fluvial no Brasil, um dos país do mundo mais vocacionados para o uso desse tipo de transporte:
“Excetuando o Rio Amazonas, as hidrovias brasileiras quase não são usadas. Nem mesmo os custos menores de transporte nos rios e a maior facilidade para integração com o modal marítimo ajudam o setor, que sofre com uma falta crônica de infraestrutura e descaso público. (...) Da mesma forma que a cabotagem é uma vocação natural do Brasil — que tem oito mil quilômetros de costa — a grande quantidade de rios navegáveis deveria ser uma vantagem comparativa, assim como o Rio Mississippi nos EUA ou os grandes rios da Europa.
No Brasil, não há, sequer dados estatísticos sobre o uso das hidrovias, que é indicada por especialistas como o principal meio para ligar a nova fronteira do agronegócio, no Centro-Oeste, ao litoral. Mesmo antigas rotas, como o Rio São Francisco, pararam de ser usadas em razão do avançado estágio de degradação do rio. Rotas pequenas e com demanda forte, como Rio Grande-Lagoa dos Patos- Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, praticamente não são usadas. (....)
— Todos os governos têm sua parcela de culpa. Até hoje o Brasil desconhece quais rios são viáveis, não há um mapeamento deles como há na costa. Com isso o Brasil perde oportunidades gigantescas — afirma o advogado e especialista no assunto José Mário da Silva, associado do Silveira, Athias, Soriano de Mello, Guimarães, Pinheiro & Scaff – Advogados.
Ele lembra que, com alguns canais, seria possível criar uma hidrovia ligando a Bacia Amazônica ao Rio do Prata, criando um corredor entre rios de Belém a Buenos Aires. Segundo Silva, as poucas iniciativas do setor estão abandonadas:
— O governo gastou quase R$ 1 bilhão para construir eclusas em Tucuruí, no Rio Tocantins, mas elas só podem ser usadas durante menos de seis meses por ano, pois falta o derrocamento (espécie de dragagem) de um trecho do rio. A hidrovia está incompleta — disse ele, lembrando que o governo insiste em construir novas hidrelétricas sem eclusas, comprovando que o setor não é prioritário. (...) A falta de rotas é a segunda maior reclamação das empresas para não usar a cabotagem, aponta pesquisa inédita feita com 120 grandes companhias pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).
— Das 120 empresas que entrevistamos, 45% utilizam a cabotagem, porém outros 40% já usaram ou tentaram utilizar a cabotagem, sem sucesso— conta Monica Barros, gerente da área de Inteligência de Mercado do instituto e responsável pela pesquisa.
A pesquisa indica que, entre as empresas que utilizam a cabotagem, 66% reclamam da falta de infraestrutura portuária, 63% da burocracia e 62% do elevado tempo de trânsito das mercadorias. Já entre as empresas que desistiram ou tentaram a cabotagem, 43% reclamam da falta de integração entre os modais de transporte, 39% da falta de rotas de cabotagem e também da falta de infraestrutura portuária.”
(Sobre o Fundo de Amparo ao Trabalhador, importante citar outra matéria: este ano o governo suspendeu a tradicional campanha de incentivo ao saque do PIS,contando com a volta desses recursos ao caixa do Tesouro, reforçando assim o superávit primário. Até o dia 6, data da reportagem, 1 milhão de trabalhadores ainda não haviam sacado o abono salarial a que tinham direito. Ficou sem quem não sacou a bufunfa até o dia 30. Ao mesmo tempo, o governo usou R$ 8,1 milhões do FAT para custear uma campanha publicitária de “Trabalho decente na Copa”, sem o aval do Conselho Deliberativo do FAT – Codefat -, que por lei deve aprovar esse tipo de despesa. O patrimônio do FAT soma R$ 204,7 bilhões, e 75% desses recursos estão emprestados ao BNDES para financiar projetos de infra-estrutura remunerados pela Taxa de Juros de Longo Prazo – congelada em 5% ao ano.)
Voltando à matéria de 23/8: “Especialistas em Orçamento apontam como outro sinal de que o Tesouro vem segurando repasses o fato de os desembolsos com subsídios e subvenções terem caído substancialmente entre janeiro e junho de 2014, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em 2013, o total com essa despesa no primeiro semestre foi de R$ 6,22 bilhões, e neste ano é de R$ 4,96 bilhões. Somente com o Pronaf, programa voltado para agricultura familiar e operado pelo Banco do Brasil, o valor caiu de R$ 1,734 bilhão no ano passado para R$ 476,5 milhões em 2014.”
Além disso, o Tesouro Nacional trocou uma parte da sua dívida, por outra com maior prazo, porém mais cara. Em 23 de julho ofereceu no mercado financeiro internacional títulos com vencimento em 30 anos (batizaram de Global 2045), captando assim US$ 3,5 bilhões – dos quais 2 bilhões foram pagos com títulos antigos do próprio Tesouro brasileiro. A diferença entre os juros pagos pelo novo título brasileiro e a taxa oferecida pelos títulos norte-americanos (uma referência mundial) foi a maior desde o auge da crise financeira mundial, em 2009 – 1,875 ponto percentual a mais. Em março captou 1 bilhão de euros no mercado internacional oferecendo títulos com vencimento em 2021 (com juros de 2,96% ao ano). (Matéria de 24/7, pág. 24.)
A esquerda quer um Estado forte, capaz de dar assistência em especial à população mais desfavorecida, que redistribua renda e crie oportunidades de ascensão econômica e sociais à turma de baixo da pirâmide. Lindo.
E toda vez que alguém acusa esse ou aquele governo de estar “aparelhando” o Estado, esse alguém é acusado de ser um direitista sedento por privatização geral e irrestrita. Um simplismo boboca, que impede muitos esquerdistas de enxergarem a maneira safada como o PT anda usando instituições públicas para fugir de problemas sérios, usando manobras que terminarão por agravar a situação. (E outros partidas já usaram, e ainda usam, esse expediente. Não se trata de uma invenção petista.)
Uma das moedas de barganha mais poderosas do governo federal são os cargos nos conselhos das empresas estatais. Alianças entre partidos são negociadas com base na pilhagem desses empregos fantásticos. O Conselho de Administração da Itaipu Binacional é o que melhor paga: R$ 20.804,03 mensais a cada membro. Orlando Pessuti, ex-governador do Paraná, conseguiu um lugar à sombra da Hidrelétrica como parte do acordo firmado entre seu PMDB e o PT em 2010, por ocasião das alianças que turbinou a candidatura de Dilma Rousseff à presidência. Ao pedir afastamento para concorrer novamente à governador do Paraná, Orlando pai passou o cargo para seu flho, Orlando Moisés Fischer Pessuti, de 32 anos. Bem ao modo das capitanias hereditárias. No início de maio a Petrobrás anunciou queda de 30% no lucro do primeiro trimestre com relação ao mesmo período do ano anterior, mas o jetom (nome da remuneração pagas aos conselheiros) subiu 13% no mesmo período, chegando a R$ 10.253,07 mensais. Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, estão nesse barco. Como ambos também integram o conselho da BR Distribuidora, cada um passou a receber R$ 18.297,95 em jetons todo mês! Em março o total de jetons distribuídos pelo governo foi de R$ 1,78 milhão – aumento de 19% em relação à março de 2013. O conselho do BNDES custou R$ 179,6 mil em março e pelo do Banco do Brasil escorreram 172,2 mil naquele mês.
Miriam Leitão alertou, em sua coluna de 24 de julho: “Os bancos que estão concedendo o novo empréstimo às distribuidoras [de energia elétrica] estão convencidos de duas coisas: primeiro, que as empresas não vão quebrar porque o governo vai salvá-las custe o que custar; segundo, que esse não é um empréstimo de apenas um ano. Há uma grande chance de o valor ser rolado por dois ou três anos. Estão sendo empurrados pelo governo a assumir esse risco. A conta ficou tão alta que, qualquer que seja o resultado da eleição, será difícil repassar tudo para a conta do consumidor e das empresas em 2015. A presidente Dilma, se for reeleita, terá ainda mais dificuldade de aprovar o aumento na conta de luz que permita o pagamento dos empréstimos. Eles ficaram altos demais. Chegam agora ao gigantesco valor de R$ 17,7 bilhões.
(...) O BNDES também não gostaria de ter entrado na operação. Isso explica a declaração de Luciano Coutinho em Londres de que “se ela (a operação) for feita não será com funding do Tesouro nem com TJLP, mas sim nas mesmas condições dos bancos privados”. Se o BNDES fosse dar esses recursos com dinheiro do Tesouro e cobrando a TJLP, estaria, na verdade, fazendo mais uma alquimia. O Tesouro está empurrando os bancos para emprestar e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para se endividar porque é a forma de evitar o impacto desse gasto nas combalidas contas do superávit primário. Se fosse feito com dinheiro do Tesouro via BNDES, ficaria evidente o truque. O BNDES acaba de receber recursos do Tesouro, teria que pedir mais algum.
Fontes que acompanham as negociações informam que o BNDES ainda não encontrou a forma de concessão desse empréstimo que se encaixe em seu estatuto. Não chega a ser empréstimo de capital de giro porque o prazo é longo. (...) A dúvida que eu tinha é que no mercado se diz que para enquadrar a operação seria necessário alterar o estatuto. Tomara que não se chegue a tal disparate.”
Em tempo: esses empréstimos já garantem um aumento de pelo menos 24% na conta de luz da sua e da minha casa, para 2015.
Mas além da “contabilidade criativa”, manobras não exatamente ilegais, mas “safadinhas”, está rolando a pura e simples desonestidade, na forma da omissão de certos dados. Através de conversas com técnicos da Câmara dos Deputados, a imprensa apurou ainda que pelo menos R$ 2,4 bilhões em despesas ainda para este ano foram omitidas em relatórios do governo.
E não falta a pura, simples e desavergonhada “conversa pra boi dormir”. Conforme Elio Gaspari expôs na sua coluna de 20/6: “na conta de padeiro apresentada pela presidente Dilma, a incompetência adveio de indisfarçável e mal-intencionada manipulação marqueteira. A opção relevante era entre construir estádios, de um lado, e escolas, hospitais e postos de saúde, do outro. Mas em vez de comparar os supostos R$ 8 bilhões que foram gastos nos estádios da Copa com despesas de investimento em educação e saúde, a presidente permitiu-se compará-los com despesas totais dos três níveis de governo com educação e saúde de 2010 a 2013. Despesas da ordem de R$ 1,7 trilhão, que, além de investimentos em educação e saúde, incluem, por exemplo, toda a folha de pagamento do funcionalismo ligado à educação e à saúde nas três esferas de governo. A conta que faz sentido é a que foi feita por Gil Castello Branco (O Globo, 17/6): o custo dos estádios equivale a dois anos de investimentos federais em Saúde ou à instalação de 2.263 escolas."
Elio Gaspari é implacável quando se trata de denunciar os contos do vigário (coluna de 27/7): “No final do ano passado, o Supremo Tribunal Federal esteve prestes a julgar o litígio dos poupadores das cadernetas de poupança que se sentiram lesados com a correção monetária de seus depósitos durante os planos econômicos fracassados do fim do século passado. Com o apoio do Banco Central, a banca desencadeou uma operação de terrorismo político-financeiro, argumentando que se os depositantes prevalecessem, provocariam um desastre bíblico na economia nacional. Seriam R$ 150 bilhões, talvez R$ 180 bilhões, quem sabe, R$ 441 bilhões. Uma empresa de consultoria falou em R$ 600 bilhões. Um manifesto assinado por Guido Mantega e cinco ex-ministros da Fazenda, inclusive aqueles que ajudaram a produzir a ruína da hiperinflação, foram na mesma linha.(...)O Instituto de Defesa do Consumidor sustentava que isso era um exagero e argumentava que esses mesmos bancos haviam provisionado apenas R$ 11 bilhões. Na conta do Credit Suisse o litígio custaria R$ 26,5 bilhões. A Procuradoria Geral da República informou que as contas catastrofistas estavam erradas. A cifra certa, para a PGR, está em R$ 21,9 bilhões.”
A FALTA D´ÁGUA EM SÃO PAULO RESULTA DE UMA VELHA E TERRÍVEL PRÁTICA: empurrar com a barriga um problema sério, fugindo de medidas impopulares (campanha educacional para uso mais racional dos recursos, na melhor hipótese, e racionamento, na pior), para preservar a imagem do atual governo (deixando a batata-quente para o próximo).
Reportagem de 30/9 mostra em pé estamos: “ Enquanto o governo de São Paulo se prepara para utilizar o segundo volume morto do sistema Cantareira para abastecer a Região Metropolitana, uma nova paisagem surge onde, há um ano, só havia água. Alguns dos principais rios e represas do estado deram lugar a vegetação alta e pasto para animais. Moradores de cidades do interior temem que a mudança repentina, resultado da pior seca das últimas oito décadas, seja um sinal de que os reservatórios não voltarão a encher como antes.
Ontem, o sistema atingiu 7% de sua capacidade. O índice só é positivo porque, desde junho, bombas instaladas pelo governo sugam o que restou do chamado volume morto, uma quantidade de água que ficou abaixo dos encanamentos originais que puxavam a água da represa Jaguari. Caso a quantidade de chuvas não mude, essa reserva técnica deve acabar em 21 de novembro, segundo o secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce.
Um dos braços do reservatório, o conhecido ponto de pesca chamado Mangue Seco, foi sumindo aos poucos desde o início do ano. Ontem, bois e cavalos pastavam onde os barcos de pescadores costumavam ficar.”
Miriam Leitão, sobre a crise energética (coluna de 3/9): “A crise é gigante e vai além da falta d´água nos reservatórios. A má administração provocou uma onda de dívidas cruzadas entre as empresas elétricas e chegou ao absurdo em alguns fatos, como a concessionária Santo António dever ao consórcio Santo António e por isso a usina começou a demitir. Parece piada, mas é isso mesmo. Consórcio e concessionária, com os mesmos sócios, brigam por pagamento não feito.”
Miriam Leitão, sobre a crise energética (coluna de 3/9): “A crise é gigante e vai além da falta d´água nos reservatórios. A má administração provocou uma onda de dívidas cruzadas entre as empresas elétricas e chegou ao absurdo em alguns fatos, como a concessionária Santo António dever ao consórcio Santo António e por isso a usina começou a demitir. Parece piada, mas é isso mesmo. Consórcio e concessionária, com os mesmos sócios, brigam por pagamento não feito.”
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Passei o dia inteiro pesquisando e escrevendo, e não esgotei minha pasta de recortes de jornais com dados que julgo interessantes para quem quer pensar a situação política e econômica brasileira.
Decidi que ia até onde agüentasse, e confesso que estou nas últimas.
Espero tê-lo ajudado a escolher seu candidato neste domingo. Ou, pelo menos, espero tê-lo instigado a acompanhar mais de perto o noticiário político e econômico.
Ademais, abrigado pelo fôlego! Chegar até este ponto do texto não foi fácil, eu sei.
Um abraço,
Maurício Gouveia
P.S.1:
No dia 10 de setembro o jornal “El Impulso”, o mais antigo da Venezuela, fundado há 110 anos, anunciou que sairia de circulação na semana seguinte. Por falta de papel-jornal para ser impresso. Um dia antes o presidente Nicolás Maduro anunciou a criação de mais duas publicações oficiais: “Diario Del PSUV” e o semanal “Los Mazazos”. Ué: há papel para ser comprado na Venezuela ou não? Será que El Impulso andava muito mal das pernas, e não conseguia mais comprar insumos? Não, é que na Venezuela a venda de papel-jornal é regulada pelo governo, que decide quem pode, ou não, comprar.
P.S.2:
De acordo com a edição 2014 do tradicional levantamento anual do Boston Consulting Group sobre a evolução da riqueza no mundo, o total de ativos financeiros em poder de famílias alcançou o volume recorde de US$ 152 trilhões em 2013. Uma expansão de 15% com relação à 2012. Desde a crise de 2008, a riqueza financeira privada acumulada saltou 60% - média anual superior a 8% -, ao passo que o PIB global evoluiu, no mesmo período em ritmo médio inferior a 3% anuais. E 3 de cada 4 dólares adicionados ao estoque de riquezas privadas, no ano passado, vieram com a rentabilidade obtida com ativos anteriormente acumulados – com grande destaque para o mercado de ações, que tiveram taxas de crescimentos superiores a 20%. (Artigo de José Paulo Kupfer publicado em 13/6.)
P.S.3:
Segundo estudo publicado na revista Science em 18/9 há 70% de chances de que a população mundial alcance, em 2100, um patamar entre 10 e 12 bilhões.A grande novidade do estudo é que, ao contrário da aposta feita por pesquisas anteriores, essa acredita que não haverá curva descendente, graças à alta natalidade na África. E que pode se tornar uma tendência em outras regiões, à medida em que o fundamentalismo religioso (especialmente islâmico) ganha força.
A previsão é que a Nigéria se torne em 2100 o terceiro país mais populoso do planeta. Apesar da epidemia de Ebola ter sido pior em países vizinhos, a Organização Mundial da Saúde reportou 20 casos e oito mortes por lá. Cerca de 900 pessoas que tiveram contato com os doentes foram identificadas e estão em acompanhamento médico. No início de outubro se esperava decretar o problema superado. Apenas para sugerir, mais uma vez, que você reflita sobre a o peso da economia na agenda política. Todo mundo tem problemas, mas os problemas da pobreza são bem mais assustadores.














