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Zenith, HQ de Grant Morrison

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Grant Morrison é autor de algumas das melhores HQs já publicadas. E quanto a ZENITH?

Li o que saiu no Brasil pela primeira vez, anos (décadas?) atrás. Adorei, mas já não lembro porquê. Há pouco terminei o segundo volume do encadernadão lançado pela Mythos.

a arte do Steve Yeowell (Os Invisíveis) é sensacional, especialmente em P&B.

MAS.... Morrison tá niilista demais pra mim, num guento. (Tanto que o gibi estará à venda hoje mais tarde, no Sebo Baratos.)



HÁ DE SE APLAUDIR UMA COISA: a proeza imaginativa de retratar seres tão poderosos que transcendem os padrões humanos de raciocínio e ambição. 

De fato há qualquer coisa de ridícula em pessoas superpoderosas que fazem um uso mínimo de seu potencial por conta dos freios morais que regem a conduta das pessoas comuns.Imagine um político que não esteja à altura do cargo conquistado: é mais que frustrante, é vergonhoso. Um presidente deveria ousar reposicionar o país no mercado internacional, como um vereador deveria ao menos tentar tratar todo o esgoto da cidade em que atua. (É irrelevante se vai conseguir ou não: terá valido à pena alcançar mesmo que uma fração das metas.) Do mesmo modo é ridículo que o Super-Homem ou os Vingadores se dediquem apenas a combater assaltos à banco. (E é por isso que preferimos caras como o Demolidor ou o Batman, personagens com poderes mais simples, portando ocupados com o crime: um problema menor, diante das mazelas do mundo.... Ainda assim: Bruce Wayne não faria mais se botasse toda aquela grana em pesquisas médicas? Ou doasse a grana pra campanha do PSOL? ;-)
 )

Acontece que o Alan Moore esgotou essa discussão com "Watchmen". Se faltou algo, o Warren Ellis matou à pau com The Authority. 



E aí penso no que faz de "Sandman", do NEIL GAIMAN, uma obra tão deliciosa quanto fascinante. Coisa rara: uma obra tão ambiciosa e complexa quanto as do Grant Morrison, mas tão divertida quanto as bobagens que fizeram de Stan Lee um monstro. A meu ver:

O QUE NOS INTERESSA É O HUMANO. Não o "pós-humano". Tramas cósmicas e seres onipotentes só prestam enquanto alegorias da nossa pequena e frágil psiquê - os afetos, medos, desejos, sonhos e delírios que governam nossas vidinhas. E é por isso que amamos Clark Kent. Não amamos Kal-El. Super-Homem, sem a moral "ridícula" herdada de Martha e Jonathan, é algo a ser temido. É uma força da natureza potencialmente tão perigosa quanto o Furacão Katrina, quanto um tsunami.

Em Sandman o Neil Gaiman retrata seres míticos que encarnam elementos da natureza humana. Cada um deles tem poderes que desafiam as leis da física, que desafiam espaço e tempo, MAS eles representam as forças que agem dentro de cada um de nós, todos os dias. (E não estou falando de enzimas ou cafeína.)

Às vezes acho que a "desumanização" das histórias do Grant Morrison corresponde à "elevação" da ciência ao status de religião, algo que creio estar acontecendo há tempos e de modo inconsciente, pelo menos para a imensa maioria das pessoas. A psicanálise talvez tenha sido o única ciência que conseguiu justificar-se moralmente sem recorrer ao tipo de metafísica que se confunde com a teologia. Por isso o Neil Gaiman, "junguiano" que é, consegue ser esperançoso e belo, enquanto Grant Morrison, talvez tão cético quanto à ciência quanto ateu, acabe sendo sempre deprimente. .

MAS RECONHEÇO que "Zenith" tem FICÇÃO CIENTÍFICA de primeira: na pseudo-física estapafúrdia usada para explicar o que pretendem os vilões, as estratégias de contra-ataque dos mocinhos e as consequências "concretas" das épicas batalhas. SÓ QUE... na boa... em última análise a Teoriado Chronon + Mundos Borboleta + Omniedro + Caostrutora, tudo isso junto, NÃO É MELHOR do que a radiação gama ou aranha radioativa ou sol amarelo ou raios cósmicos.... É apenas mais empolada, mas ainda assim é uma mixórdia retórica que só tem valor na medida em que for útil pra narrativa. Na real, páginas e páginas desse blábláblá acabam apenas me cansando.



DA WIKIPEDIA:

Zenith was a story about a British superhero, which appeared in the British science fiction comic 2000 AD. Created by writer Grant Morrison and artist Steve Yeowell, with original character designs by Brendan McCarthy, it first appeared in 2000 AD #535 (22 August 1987). The character Zenith (real name Robert McDowell[1]) first appeared in the second episode – the first episode set the backdrop for his introduction.

Shallow and sarcastic, Zenith was a distinctly Generation X superhero. Morrison used the Zenith serial to explore cultural differences between generations and criticise the Conservative Party.

Zenith was featured regularly in 2000 AD from 1987 until 1992, with occasional appearances since. The series was an early success for Morrison, who has since written popular works for DC and Marvel, using his own characters. The first series won the 1987 Eagle Award for Favourite Single or Continuing Story




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